terça-feira, 16 de maio de 2017

sábado, 13 de maio de 2017

Hora da verdade

Amanhã, 11 h, o Flu estreia no Brasileirão, 11h, no maltratado Maracanã.

Chegou a hora da verdade para um time de qual muito pouco se esperava em 2017, mas que, até agora, apesar dos últimos tropeços - perda do Carioca e o péssimo jogo contra o modestíssimo Liverpool uruguaio pela Sulamericana - mostrou um potencial acima do razoável. Ganhou a Taça Guanabara e segue firme na Primeira Liga (sic), Copa do Brasil e a já mencionada Sulamericana.

Pausa.
Confiram o link abaixo:
http://epoca.globo.com/esporte/epoca-esporte-clube/noticia/2017/05/financas-do-fluminense-o-clube-das-laranjeiras-esta-beira-do-colapso-financeiro.html

Talvez a principal mudança ocorrida no clube Fluminense neste ano tenha sido fora de campo, na sua estrutura e forma de gestão.

O novo presidente, Pedro Abad, ganhou a eleição no final do ano passado como candidato da situação, o que não o impediu de dar às finanças do clube uma transparência inédita. Ressalte-se que ele é auditor da Receita Federal, daí a preocupação fundamental com os números e com a transparência. Mais importante: ele tornou pública a lamentável situação financeira do Fluminense com a discrição que é uma marca pessoal sua, sem tinturas de denúncia, também porque fora parte da gestão do instável Peter Siemsen.

Como já se analisou aqui, o modesto time que o Flu montou para este ano, assentado sobre uma base de jovens talentos relevados em Xerém, nasceu da necessidade de, mais que tudo, sanear as finanças tricolores. E daí veio a outra boa iniciativa na gestão desse Fluminense 2017: a montagem de uma comissão técnica para o futebol de perfil tão discreto quanto o do presidente, encabeçada por um ex-jogador formado nas divisões de base do clube, Alexandre Torres, filho do lendário Carlos Alberto, também revelado no Flu, e integrada também por Marcelo Teixeira. Deixei o Abel Braga por último, e sobre ele falo logo adiante. Primeiro, volto a Teixeira, um dos principais responsáveis pela renovação de toda a estrutura física e técnica da base de Xerém, e um dos idealizadores do inovador projeto Flu-Samorin, uma espécie de campus avançado do Fluminense na Eslováquia .

Ver o post Fluzão tipo exportação: Bloomberg descobre o Flu Samorin, na Eslováquia:

https://www.bloomberg.com/news/features/2017-02-15/how-brazil-s-soccer-factory-dominates-a-5-billion-export-market

E chega-se então ao Abel, o treinador perfeito para este momento difícil, com sua alma tricolor, sua competência futebolística, ele também discreto a seu modo. Mais que um técnico, ele é uma espécie de manager do futebol, o líder capaz, em tese, de conduzir o clube em campo neste momento de transição, em que um  bando de garotos, mais um punhado de jogadores experientes, terá que segurar a barra ao longo de um ano que se prenuncia difícil. Abel tem contrato de dois anos; é de se imaginar que isto foi de caso pensado: sobreviver com dignidade em 2017, para alçar vôos mais altos ano que vem. Eu por exemplo, não penso nem em Libertadores; permanecer na Sulamericana já me deixaria feliz.

Mas vamos ao time que estreia amanhã: Cavalieri, Lucas, Henrique, Renato Chaves e Léo; Orejuela, Wendel e Sornoza; Wellington Silva, Henrique Dourado e Richarlison. Ou seja, ainda sem nossa maior estrela e maior esperança: Gustavo Scarpa.

Na defesa, Cavalieri sem ser ótimo, ainda nos dá segurança. Lucas e Henrique, este principalmente, são muito bons jogadores. O capitão está à altura de qualquer outro grande time brasileiro. Léo é um menino de muita força na marcação, boa técnica, mas instável no ataque. Renato Chaves é apenas um zagueiro razoável. Nele, ronda sempre o perigo. Orejuela é um volante muito técnico, marca bem e passa muito bem. Wendel, depois que perdemos Douglas - ele tem uma doença auto-imune, artrite reativa, que pode até inviabilizar sua carreira -, passou a ser nossa, até agora, maior revelação; segundo volante muito técnico, também marca e passa bem; mas, ainda, muito garoto. Sornoza, o outro equatoriano, é um meio de muita habilidade, bom passador, faz gols, bom também na bola parada; agressivo, irritadiço, perde-se um pouco em campo às vezes por causa disso. Wellington e Richarlison, pelos lados, são excelentes, mas desde que estraçalharam o Flamengo na Taça Guanabara, passaram a ser melhor marcados, e o Abel vai ter que ensiná-los a sair dessa armadilha. Henrique Dourado, centroavante centroavante, não tem um terço do talento do Fred. Quebra o galho; quando o Scarpa voltar, Abel muda a esquema, e ele sai do time. No banco, Júlio César substitui bem o Cavalieri; Nogueira ainda vai pegar o lugar do Renato Chaves; Marquinhos Calazans é um baita talento; a diretoria tem que arrumar um lateral esquerdo pra revezar com o Léo, de modo a que o Calazans possa jogar como meia avançado, que é o seu lugar; o veterano Pierre será usado em momentos em que iremos precisar de um volante das antigas; Marquinho, já meio veterano, é uma nulidade; Lucas Fernandes sabe jogar na meia e pelos lados; Pedro ainda será titular, um centroavante alto, de boa técnica, que sabe sair como saber fazer bem o pivô; e o Marcos Júnior é o Marcos Júnior: um jovem veterano, de técnica razoável, que volta e meia, como ele gosta de dizer, resolve.

E amanhã?
Flu 2 Santos 1.

Gols de Richarlison e Dourado.


terça-feira, 11 de abril de 2017

E aí vai o meu Flu de todos os tempos

Castilho, Carlos Alberto, Pinheiro, Ricardo Gomes e Branco; Denílson; Telê, Didi, Gerson e Rivelino; Valdo.

Escalado num 4-1-4-1, tão popular hoje em dia.

Denílson, o Rei Zulu, na definição sempre precisa do Nelson, à frente da zaga, mas saindo para o jogo com passes precisos; Telê e Rivelino abrindo para os lados, trocando de posições, variando para o meio; os gênios Gerson e Didi mais recuados, fazendo lançamentos precisos para as avançadas do Carlinhos e do Branco. Na área, inigualável, Valdo fazendo tanto gol, que é até hoje o nosso maior artilheiro de todos os tempos.

De Carlos José Castilho, o que dizer?

Pinheiro, um esteio na retaguarda, infalível nos pênaltis, pouco técnico, é verdade, mas o companheiro perfeito para o super técnico, elegantérrimo, Ricardo Gomes.

Mas foi tudo um sonho ... acordei!, como poetou Lamartino Babo, em Eu Sonhei que Tu Estavas tão Linda, que vai aí embaixo, na voz do inesquecível Carlos Galhardo.

https://www.youtube.com/watch?v=5hHoRXzd8PI


Dei um tempo, estou voltando

https://esporte.uol.com.br/enquetes/2017/04/06/fluminense.htm

Clique no link e vote no melhor Flu de todos os tempos.

sábado, 11 de março de 2017

7 a 1, 6 a 1, 1 a 1

No dia dos 7 a 1, quando a Alemanha fez o terceiro gol, saí, desnorteado, da casa de uma de minhas filhas, onde assistíamos a Copa em família, e, porque era perto, me refugiei sozinho no apartamento onde vivo com minha mulher, buscando esquecer o mundo, grudado no Netflix. Mas os gritos, lamentos, que vinham dos bares das redondezas não deixavam que a tragédia em progresso me abandonasse.

Como a tragédia dos 7 a 1 não abandona o Tiago Silva.

Escrevo, sem nada querer justificar, mas porque tenho uma imensa admiração pelo futebol dele, e, mais ainda, porque tenho uma imensa solidariedade pela história pessoal dele, não só por ter vindo, como quase todos, dos estratos mais pobres da sociedade brasileira, mas porque quase morreu por abandono em um infecto hospital de Moscou.

Hospital onde o Dínamo da capital russa o largou, sem suporte pessoal algum, para tratar de uma tuberculose que os médicos do Porto, de Portugal, tinha deixado passar batido.

Mais um caso, talvez o mais grave, de tantos jovens brasileiros cujos talentos são desperdiçados na periferia do futebol globalizado. Tiago foi literalmente salvo por Ivo Wortmann. O ex-volante dos bons e passados tempos do América carioca e, depois, do Palmeiras, técnico de futebol, hoje um fora do circuito, em 2005 foi contratado pelo referido Dínamo, e coube a ele, que conhecia Tiago dos tempos em que treinara o Juventude de Caxias do Sul, descobrir o jovem zagueiro no hospital, onde, segundo o próprio Tiago Silva, médicos já se preparavam para lhe abrir o peito e tirar pedaços do seus pulmões. Foi Wortmann quem conseguiu um especialista português para tratar o zagueiro e, quando em 2006,veio treinar o Fluminense, trouxe Tiago com ele (ver, por exemplo, http://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/2013/06/origens-thiago-silva-abre-o-jogo-e-se-emociona-ao-lembrar-das-dificuldades.html).

E se fez aí um capítulo bonito da história do futebol brasileiro.

Um monstro no Fluminense, foi monstro e capitão do Milan, e é um monstro e capitão do PSG.

Mas, Tiago é também uma das principais vítimas do 7 a 1, ainda que não tenha estado em campo naquele fatídico dia.

A Copa de 2014 passará à história como um dos maiores equívocos esportivos, culturais e políticos da história brasileira. Bilhões foram enterrados em duvidosas 'arenas' país a fora, inclusiva a mais cara e inútil delas, o monstrengo arquitetônico que, aqui em Brasilia, desonra a memória de Mané Garrincha.  Emocionalizou-se a seleção brasileira a um ponto jamais antes visto, envolvida desde a Copa das Confederações com uma profunda crise ético-político do qual o país parece não conseguir sair. Tinha-se a impressão de que o 'hepta' era a poção mágica que nos jogaria de novo para um radiante futuro. Emocionávamos todos, como nunca, com o Hino Nacional que, cantado à capela, desafiava as normas da famigerada FIFA. Os jogadores todos iam às lágrimas, como às lágrimas foi o Tiago quando teria se recusado bater um pênalti na dramática disputa como o Chile nas oitavas de final.

O Monstro, ao mostrar ali toda a sua, ainda que circunstancial, fragilidade emocional, começaria a ver a sua imagem de zagueiro quase que tecnicamente perfeito ser paulatinamente desmontada. Nenhum erro seu jamais voltaria a ser perdoado.

Mesmo quando ele não comete erro algum, e aqui chego à surra que o PSG levou do Barcelona nesta semana. Porque Tiago Silva, e ouvi isso de 'cronista' esportivo brasileiro inclusive,  não fez valer a sua condição de capitão do time, 'sacudindo' o coitado do Marquinhos e outras bilionárias estrelas bancadas por bilionárias quantias bancadas por bilionários árabes.

Durma-se com um barulho desses.

E o tal de Unay Emery?, o 'brilhante' espanhol que ganha bilionário salário pra treinar o PSG? O que dizer da sua 'estratégia' pra segurar o Barcelona no Camp Nou? Não, segundo a imprensa francesa, e até certos jornalistas brasileiros, o grande problema dos 6 a 1 foi o chorão do Tiago Silva.

Por isso, hoje e sempre, por ser o grande atleta que é, por ter sido um dos maiores zagueiros da história do Flu, por ter a história que tem, vai aqui toda a minha, ainda que pouco importante, no contexto de toda essa história, solidariedade ao Tiago Silva.

E o 1 a 1?
Sim, o 1 a 1 do Flu contra o Criciúma.

Depois da maratona da ida e volta a Sinop, depois da belíssima conquista da Taça Guanabara, e depois da inesperada maratona do vôo atrasado para Criciúma, em avião fretado, imaginem, concordo com o Abel: o empate ficou de bom tamanho.


quarta-feira, 8 de março de 2017

Flu Saudades: campeão da Taça Guanabara 1975

Time base:

Félix, Toninho, Silveira, Assis e Marco Antônio; Zé Mário, Cléber e Rivellino; Cafuringa, Manfrini e Mário Sérgio.

Era a Máquina Tricolor surgindo.

segunda-feira, 6 de março de 2017

O Menino da Ceilândia

Em 2012, quando subiu das categorias de base para a equipe principal do Fluminense, o menino Marcos Júnior, depois de fazer o quarto gol na decisão do Carioca daquele ano - vitória de 4 a 1 sobre o Botafogo -, na entrevista de final de jogo, entusiasmado, falou ao repórter, e eu parafraseio:

- O professor - que só poderia ter sido mesmo o Abelão - me disse pra entrar e resolver; eu fui lá e resolvi.

Foi o que bastou para Deco, então o mais vencedor daquele elenco do Fluminense, que tinha Fred e Tiago Neves, entre outros, e que terminaria o ano como campeão brasileiro, arrumasse logo um apelido para o atrevido e elétrico novato:

- Resolve.

Em 2011, na final do Torneio Otávio Pinto Guimarães, competição carioca de juniores, da qual ele foi o artilheiro com 9 gols, depois de um empate com o Flamengo por 3 a 3, que deu o título ao rubronegro, Marcos Júnior chorou copiosamente, pela derrota, é claro, porém, mais que tudo, porque seu pai, Antônio Marcos, por  falta de condições financeiras, não pudera viajar de Brasília para assistir o jogo (http://globoesporte.globo.com/futebol/times/fluminense/noticia/2011/11/atacante-da-base-do-flu-chora-pela-ausencia-do-pai-na-final-do-opg.html).

Marcos Júnior é filho da Ceilândia, a cidade-satélite, na verdade um dos grandes bairros periféricos de Brasília, com seus cerca de 400 mil moradores, que tem esse nome porque nasceu de um projeto socialmente cruel, logo após a fundação da nova capital, com o nome de Campanha para Erradicação das Invasões, daí o a acrônimo CEI, daí o nome Ceilândia. Considerado o mais nordestino dos bairros brasilienses, abrigo daqueles trabalhadores que ajudaram a erguer a nova cidade, que nela moravam em acampamentos precários, mas no Plano Piloto, e que dela foram afastados para as franjas precárias da capital do país.

Foi na Ceilândia que Marcos Júnior deu seus primeiros chutes em uma bola de futebol, e é na Ceilândia que ele mantém um projeto social, uma escolinha de futebol, fazendo o que muitos atletas como ele fazem - dar retorno social às comunidades pobres de onde vieram, e de onde saíram graças ao esporte.

Mas, e voltando ao Deco e ao apelido - do qual ele hoje já se livrou: Marcos Júnior resolve?

Sim, se não vejamos: de seus pés saíram os gols dos últimos título do Flu: o da Primeira Liga, ano passado, e o da Taça Guanabara, ontem.

Nossas homenagens candangas, pois, ao Menino da Ceilândia.

De resto, muita vontade de falar mais sobre o jogo de ontem.

Mas, por ora, apenas um registro emocionado.

Afinal, como não se emocionar diante da emoção de Abel Braga, um dos mais  vitoriosos, e veteranos, treinadores do nosso futebol, às lágrimas, ontem, depois de o Fluminense, em jogo épico - digno de um Nélson Rodrigues - vencer nos pênaltis a Taça Guanabara. Sim, a Taça Guanabara! Um primeiro turno de um, por vezes, molambento campeonato carioca, que só garante vaga na semifinal. Se o choro do Abel não reflete um baita amor pelo Fluzão, o que mais refletiria?