sábado, 13 de maio de 2017

Hora da verdade

Amanhã, 11 h, o Flu estreia no Brasileirão, 11h, no maltratado Maracanã.

Chegou a hora da verdade para um time de qual muito pouco se esperava em 2017, mas que, até agora, apesar dos últimos tropeços - perda do Carioca e o péssimo jogo contra o modestíssimo Liverpool uruguaio pela Sulamericana - mostrou um potencial acima do razoável. Ganhou a Taça Guanabara e segue firme na Primeira Liga (sic), Copa do Brasil e a já mencionada Sulamericana.

Pausa.
Confiram o link abaixo:
http://epoca.globo.com/esporte/epoca-esporte-clube/noticia/2017/05/financas-do-fluminense-o-clube-das-laranjeiras-esta-beira-do-colapso-financeiro.html

Talvez a principal mudança ocorrida no clube Fluminense neste ano tenha sido fora de campo, na sua estrutura e forma de gestão.

O novo presidente, Pedro Abad, ganhou a eleição no final do ano passado como candidato da situação, o que não o impediu de dar às finanças do clube uma transparência inédita. Ressalte-se que ele é auditor da Receita Federal, daí a preocupação fundamental com os números e com a transparência. Mais importante: ele tornou pública a lamentável situação financeira do Fluminense com a discrição que é uma marca pessoal sua, sem tinturas de denúncia, também porque fora parte da gestão do instável Peter Siemsen.

Como já se analisou aqui, o modesto time que o Flu montou para este ano, assentado sobre uma base de jovens talentos relevados em Xerém, nasceu da necessidade de, mais que tudo, sanear as finanças tricolores. E daí veio a outra boa iniciativa na gestão desse Fluminense 2017: a montagem de uma comissão técnica para o futebol de perfil tão discreto quanto o do presidente, encabeçada por um ex-jogador formado nas divisões de base do clube, Alexandre Torres, filho do lendário Carlos Alberto, também revelado no Flu, e integrada também por Marcelo Teixeira. Deixei o Abel Braga por último, e sobre ele falo logo adiante. Primeiro, volto a Teixeira, um dos principais responsáveis pela renovação de toda a estrutura física e técnica da base de Xerém, e um dos idealizadores do inovador projeto Flu-Samorin, uma espécie de campus avançado do Fluminense na Eslováquia .

Ver o post Fluzão tipo exportação: Bloomberg descobre o Flu Samorin, na Eslováquia:

https://www.bloomberg.com/news/features/2017-02-15/how-brazil-s-soccer-factory-dominates-a-5-billion-export-market

E chega-se então ao Abel, o treinador perfeito para este momento difícil, com sua alma tricolor, sua competência futebolística, ele também discreto a seu modo. Mais que um técnico, ele é uma espécie de manager do futebol, o líder capaz, em tese, de conduzir o clube em campo neste momento de transição, em que um  bando de garotos, mais um punhado de jogadores experientes, terá que segurar a barra ao longo de um ano que se prenuncia difícil. Abel tem contrato de dois anos; é de se imaginar que isto foi de caso pensado: sobreviver com dignidade em 2017, para alçar vôos mais altos ano que vem. Eu por exemplo, não penso nem em Libertadores; permanecer na Sulamericana já me deixaria feliz.

Mas vamos ao time que estreia amanhã: Cavalieri, Lucas, Henrique, Renato Chaves e Léo; Orejuela, Wendel e Sornoza; Wellington Silva, Henrique Dourado e Richarlison. Ou seja, ainda sem nossa maior estrela e maior esperança: Gustavo Scarpa.

Na defesa, Cavalieri sem ser ótimo, ainda nos dá segurança. Lucas e Henrique, este principalmente, são muito bons jogadores. O capitão está à altura de qualquer outro grande time brasileiro. Léo é um menino de muita força na marcação, boa técnica, mas instável no ataque. Renato Chaves é apenas um zagueiro razoável. Nele, ronda sempre o perigo. Orejuela é um volante muito técnico, marca bem e passa muito bem. Wendel, depois que perdemos Douglas - ele tem uma doença auto-imune, artrite reativa, que pode até inviabilizar sua carreira -, passou a ser nossa, até agora, maior revelação; segundo volante muito técnico, também marca e passa bem; mas, ainda, muito garoto. Sornoza, o outro equatoriano, é um meio de muita habilidade, bom passador, faz gols, bom também na bola parada; agressivo, irritadiço, perde-se um pouco em campo às vezes por causa disso. Wellington e Richarlison, pelos lados, são excelentes, mas desde que estraçalharam o Flamengo na Taça Guanabara, passaram a ser melhor marcados, e o Abel vai ter que ensiná-los a sair dessa armadilha. Henrique Dourado, centroavante centroavante, não tem um terço do talento do Fred. Quebra o galho; quando o Scarpa voltar, Abel muda a esquema, e ele sai do time. No banco, Júlio César substitui bem o Cavalieri; Nogueira ainda vai pegar o lugar do Renato Chaves; Marquinhos Calazans é um baita talento; a diretoria tem que arrumar um lateral esquerdo pra revezar com o Léo, de modo a que o Calazans possa jogar como meia avançado, que é o seu lugar; o veterano Pierre será usado em momentos em que iremos precisar de um volante das antigas; Marquinho, já meio veterano, é uma nulidade; Lucas Fernandes sabe jogar na meia e pelos lados; Pedro ainda será titular, um centroavante alto, de boa técnica, que sabe sair como saber fazer bem o pivô; e o Marcos Júnior é o Marcos Júnior: um jovem veterano, de técnica razoável, que volta e meia, como ele gosta de dizer, resolve.

E amanhã?
Flu 2 Santos 1.

Gols de Richarlison e Dourado.


Um comentário:

M.C. Ramos Castilho de Santana disse...

Teatini comentou:

Discordo apenas do "Henrique Dourado, centroavante, não tem um terço do talento do Fred. Quebra o galho [...]", pois o Fred só jogava de vez em quando/quando e se julgava dono do time. Prefiro o Dourado e deixa o Fred voltar só pra se despedir. O resto concordo em tudo, como sempre...

E eu respondo:

Em retrospectiva, acho que fui injusto mesmo com o Dourado. Até levando em conta o que ele fez desde o início deste ano. Quanto ao Fred, é um baita talento. Se contundia meio demais, se expulsava meio demais também, mas, pra mim, faz uma falta danada.