segunda-feira, 12 de junho de 2017

Xô, Crefisa!

Lá no início do ano, foi o Gustavo Scarpa.

No final de semana, foi o assédio ao Richarlison, que até seria normal em circunstâncias normais, mas que virou assédio imoral porque às vésperas do jogo, o que levou o garoto a literalmente tirar o seu time de campo. Até dá pra perguntar: sendo o garoto tão bom quanto o Palmeiras acha, será que o Fluminense não teria ganho o jogo não tivesse o Richarlison resolvido ficar em casa, assanhado pela grana da Crefisa? Mais ainda, o timing do assédio não teria sido parte da tática do Cuca pra tirar o time mais rico do Brasil de um início de crise nesse início de Brasileirão? Será que o Richarlison, sem jogar, não salvou o emprego do Cuca?

Perguntar, afinal, não ofende!

E, last, but not least, me diz a ESPN hoje que o Palfisa, ou Cremeiras, também tentou levar nosso outro menino de ouro, o Wendel.

Só falta agora a Leila Pinheiro, digo, Leila Crefisa, digo Leila Pereira, perdão Leila Pinheiro, querer comprar todo o bairro de Laranjeiras ....

domingo, 11 de junho de 2017

Abel Braga sobre o Flu, o Palmeiras e o Richarlison

Sobre o Richarlison:

- Não jogou, perdemos, não fez falta nenhuma. Se tiver que voltar, volta. Se não tiver que voltar, não volta. Quero jogador com disposição, que entre em campo e corra. Ontem, tirei da equipe porque ele falou que não estava com cabeça para o jogo.

Abel viu falha de postura no episódio. Entre várias frases, duas explicitaram o que ele pensa sobre o assunto:

- Se ele fosse meu filho, com certeza isso não teria acontecido. Já viu minha retidão? Já escutou falar de alguma situação em que o Abel Braga saiu da linha, saiu da reta, saiu do caminho? Não aconteceria, com certeza.

Abel evitou criticar diretamente o atleta pela decisão de não atuar, mas criticou seus representantes.

- Acho que ele foi usado. Mas não significa dizer que estava dentro da consciência dele, dentro do caráter dele. O futebol hoje é muito manipulado. É muito empresário pra um jogador. Com ele, são três, não sei bem. Os caras também têm que ensinar, têm que ter conduta. Os caras só pensam em causa própria.

E arrematou:

- Não me surpreendo com o governo do meu país. Não me surpreendo com o governo do meu estado. Vou me surpreender com empresário e dirigente?


Sobre o Palmeiras:

Abel foi comedido ao analisar a participação do Palmeiras no assédio ao jogador. Mas evidenciou que não gosta da atitude do clube.

- O que eu sinto, conversei com o Cuca sobre isso, falei pra ele que não retiro uma vírgula daquilo que falei. Mas agora já foi. Acho que o jogador deveria estar no campo, independentemente de amanhã ser negociado ou não. É um clube muito forte, com poder de aquisição muito grande. Na vida, nem isso é motivo básico. Existem outros princípios que devem ser seguidos.

O treinador viu justiça na vitória dos donos da casa, mas ficou incomodado com os gols marcados por Guerra e Keno no primeiro tempo.

- Jogo difícil, complicado. Nós facilitamos e complicamos mais. Não pode vir fora de casa jogar contra o Palmeiras e sofrer os dois gols que sofremos. Falo dos dois primeiros. Esse terceiro é como se não tivesse existido. Fomos para frente, precisávamos empatar o jogo, tivemos a chance. O Palmeiras trabalhou melhor a bola no segundo tempo, conseguiu individualizar mais a marcação. Nós não criamos tanto. O resultado é justo.


sábado, 10 de junho de 2017

Sobre o Flu, Richarlison e o Palmeiras

Daqui a pouco o Fluzão, como diz a crônica esportiva radiofônica, adentrará o gramado do Alianz Park, em São Paulo, para enfrentar o poderoso esquadrão da Sociedade Esportiva Palmeiras. Poderoso e rico, graças aos cofres da Crefisa, empresa que vive de emprestar dinheiro a juro, e à paixão da dona da dita empresa, Leila Pereira, hoje também dona, em sentido quase literal, do Palmeiras. Como aliás o Fluminense, na sua fase recente de novo rico, duas vezes campeão brasileiro neste século XXI, já teve também o seu dono virtual, Celso Barros, dono virtual da Unimed Rio. A diferença entre os dois mecenatos, travestidos de patrocínio, e com grande poder político, é que a Crefisa pode fazer as pessoas adoecerem ao lhes emprestar dinheiro que não poderão pagar mais na frente, ao passo que a Unimed pode curar as pessoas que, tendo tomado dinheiro emprestado da Crefisa, ficaram doentes por não poder pagar a dívida. Mas, no fundo, ambas as empresas se equivalem, pois de que adianta fazer plano de saúde se o dinheiro emprestado acabou e agora não posso pagar o empréstimo, e muito menos o plano de saúde!!!

Mas, chega de divagações.

Mais importante que o jogo desta tarde e seu resultado é o imbróglio que o está antecedendo.

Mal das pernas nesse início do Brasileirão, o Porco do Parque Antártica, em um lance esperto fora das quatro linhas, resolveu enfraquecer o já enfraquecido Pó de Arroz das Laranjeiras fazendo proposta para comprar o passe do jovem Richarlison que, com os igualmente jovens Gustavo Scarpa (que o mesmo abonado Palmeiras tentou levar no início deste ano), Wendel e Wellington Silva, formam a base do time que, surpreendentemente, ocupa o quarto lugar ao chegarmos à 5a. rodada do maior certame futebolístico nacional.

Vejam só: Fluminense se prepara para enfrentar o Palmeiras, e o Palmeiras, na antevéspera do jogo, diz que quer levar um dos principais jogadores do adversário para São Paulo.

E o primeiro resultado da 'transação' vem rápido: o garoto procura Abel Braga e, mesmo com o negócio ainda longe de ser pra valer, diz que não tem 'cabeça' pra entrar em campo hoje.

Se o e$quadrão palmeiren$e já era favorito, ficou mais favorito ainda.

Fez de propó$ito? Não $ei! O 'ético' Cuca diz que não $abia de nada, e empre$tou $olidariedade de Gilmar Mende$ ao Abelão.

Mas, o mais triste disso tudo é que a diretoria do Fluminense foi decisiva para que o imbróglio acontecesse.

O clube tá numa pindaíba braba; o déficit previsto para este ano é de quase 80 milhões; a cota de televisão adiantada ano passado já foi torrada; não se tem patrocínio master na camisa; e até a milionária venda do garoto Gerson ano passado para o Roma virou dívida (ver http://globoesporte.globo.com/futebol/times/fluminense/noticia/caso-gerson-a-venda-que-virou-emprestimo-e-ainda-gerou-divida-ao-flu.ghtml). O atual presidente Pedro Abad, auditor da Receita Federal, que, aliás, já elogiei aqui, tem dado transparência a essa situação, o que é uma boa novidade, e, ao contratar o Abel por dois anos, fez o certo: entregou ao nosso multicampeão, e tricolor de coracão treinador, um elenco recheado de meninos de Xerém, para ser lapidado este ano e, quem saber, fazer bonito ano que vem.

Mas, ao alardear tanto aos quatro ventos a necessidade de vender passe de jogador para fechar o caixa em 2017, Abad ouriçou os vermes que infestam os intestinos do futebol, em especial os chamados empre$ário$ que parasitam os jogadores de hoje, sejam eles promissores ou não, como promissor é o Richarlison.

O que o Palmeiras não precisava fazer era procurar o Fluminense na semana do jogo entre eles.

Pior, o que o Fluminense não precisava, e aí o Abad pisou feio na bola, era receber o Palmeiras na semana do jogo.

Só no próximo final de semana é que o Richarlison chegará ao sétimo jogo no Brasileirão. Se a pindaíba obriga a vender, se os empresários estavam assanhados, que se esperasse até segunda-feira pra começar a conversar.

O Palmeira foi anti-ético, se é que se pode falar em ética no futebol? De certa forma, sim.

Mas, a responsabilidade maior pelo imbróglio foi do próprio Fluminense e de seu bem intencionado presidente.




terça-feira, 23 de maio de 2017

Marlon: é por isso que eu choro ...

... quando um dos nossos garotos começa a explodir lá fora, e você imagina se eles tivessem podido ficar por aqui. Lembremo-nos, por exemplo, do Marcelo:

http://espnfc.espn.uol.com.br/barcelona/blog-nou/14879-marlon-precisa-ser-o-primeiro-reforco-do-barcelona-para-a-proxima-temporada

sábado, 13 de maio de 2017

Hora da verdade

Amanhã, 11 h, o Flu estreia no Brasileirão, 11h, no maltratado Maracanã.

Chegou a hora da verdade para um time de qual muito pouco se esperava em 2017, mas que, até agora, apesar dos últimos tropeços - perda do Carioca e o péssimo jogo contra o modestíssimo Liverpool uruguaio pela Sulamericana - mostrou um potencial acima do razoável. Ganhou a Taça Guanabara e segue firme na Primeira Liga (sic), Copa do Brasil e a já mencionada Sulamericana.

Pausa.
Confiram o link abaixo:
http://epoca.globo.com/esporte/epoca-esporte-clube/noticia/2017/05/financas-do-fluminense-o-clube-das-laranjeiras-esta-beira-do-colapso-financeiro.html

Talvez a principal mudança ocorrida no clube Fluminense neste ano tenha sido fora de campo, na sua estrutura e forma de gestão.

O novo presidente, Pedro Abad, ganhou a eleição no final do ano passado como candidato da situação, o que não o impediu de dar às finanças do clube uma transparência inédita. Ressalte-se que ele é auditor da Receita Federal, daí a preocupação fundamental com os números e com a transparência. Mais importante: ele tornou pública a lamentável situação financeira do Fluminense com a discrição que é uma marca pessoal sua, sem tinturas de denúncia, também porque fora parte da gestão do instável Peter Siemsen.

Como já se analisou aqui, o modesto time que o Flu montou para este ano, assentado sobre uma base de jovens talentos relevados em Xerém, nasceu da necessidade de, mais que tudo, sanear as finanças tricolores. E daí veio a outra boa iniciativa na gestão desse Fluminense 2017: a montagem de uma comissão técnica para o futebol de perfil tão discreto quanto o do presidente, encabeçada por um ex-jogador formado nas divisões de base do clube, Alexandre Torres, filho do lendário Carlos Alberto, também revelado no Flu, e integrada também por Marcelo Teixeira. Deixei o Abel Braga por último, e sobre ele falo logo adiante. Primeiro, volto a Teixeira, um dos principais responsáveis pela renovação de toda a estrutura física e técnica da base de Xerém, e um dos idealizadores do inovador projeto Flu-Samorin, uma espécie de campus avançado do Fluminense na Eslováquia .

Ver o post Fluzão tipo exportação: Bloomberg descobre o Flu Samorin, na Eslováquia:

https://www.bloomberg.com/news/features/2017-02-15/how-brazil-s-soccer-factory-dominates-a-5-billion-export-market

E chega-se então ao Abel, o treinador perfeito para este momento difícil, com sua alma tricolor, sua competência futebolística, ele também discreto a seu modo. Mais que um técnico, ele é uma espécie de manager do futebol, o líder capaz, em tese, de conduzir o clube em campo neste momento de transição, em que um  bando de garotos, mais um punhado de jogadores experientes, terá que segurar a barra ao longo de um ano que se prenuncia difícil. Abel tem contrato de dois anos; é de se imaginar que isto foi de caso pensado: sobreviver com dignidade em 2017, para alçar vôos mais altos ano que vem. Eu por exemplo, não penso nem em Libertadores; permanecer na Sulamericana já me deixaria feliz.

Mas vamos ao time que estreia amanhã: Cavalieri, Lucas, Henrique, Renato Chaves e Léo; Orejuela, Wendel e Sornoza; Wellington Silva, Henrique Dourado e Richarlison. Ou seja, ainda sem nossa maior estrela e maior esperança: Gustavo Scarpa.

Na defesa, Cavalieri sem ser ótimo, ainda nos dá segurança. Lucas e Henrique, este principalmente, são muito bons jogadores. O capitão está à altura de qualquer outro grande time brasileiro. Léo é um menino de muita força na marcação, boa técnica, mas instável no ataque. Renato Chaves é apenas um zagueiro razoável. Nele, ronda sempre o perigo. Orejuela é um volante muito técnico, marca bem e passa muito bem. Wendel, depois que perdemos Douglas - ele tem uma doença auto-imune, artrite reativa, que pode até inviabilizar sua carreira -, passou a ser nossa, até agora, maior revelação; segundo volante muito técnico, também marca e passa bem; mas, ainda, muito garoto. Sornoza, o outro equatoriano, é um meio de muita habilidade, bom passador, faz gols, bom também na bola parada; agressivo, irritadiço, perde-se um pouco em campo às vezes por causa disso. Wellington e Richarlison, pelos lados, são excelentes, mas desde que estraçalharam o Flamengo na Taça Guanabara, passaram a ser melhor marcados, e o Abel vai ter que ensiná-los a sair dessa armadilha. Henrique Dourado, centroavante centroavante, não tem um terço do talento do Fred. Quebra o galho; quando o Scarpa voltar, Abel muda a esquema, e ele sai do time. No banco, Júlio César substitui bem o Cavalieri; Nogueira ainda vai pegar o lugar do Renato Chaves; Marquinhos Calazans é um baita talento; a diretoria tem que arrumar um lateral esquerdo pra revezar com o Léo, de modo a que o Calazans possa jogar como meia avançado, que é o seu lugar; o veterano Pierre será usado em momentos em que iremos precisar de um volante das antigas; Marquinho, já meio veterano, é uma nulidade; Lucas Fernandes sabe jogar na meia e pelos lados; Pedro ainda será titular, um centroavante alto, de boa técnica, que sabe sair como saber fazer bem o pivô; e o Marcos Júnior é o Marcos Júnior: um jovem veterano, de técnica razoável, que volta e meia, como ele gosta de dizer, resolve.

E amanhã?
Flu 2 Santos 1.

Gols de Richarlison e Dourado.