terça-feira, 11 de abril de 2017

E aí vai o meu Flu de todos os tempos

Castilho, Carlos Alberto, Pinheiro, Ricardo Gomes e Branco; Denílson; Telê, Didi, Gerson e Rivelino; Valdo.

Escalado num 4-1-4-1, tão popular hoje em dia.

Denílson, o Rei Zulu, na definição sempre precisa do Nelson, à frente da zaga, mas saindo para o jogo com passes precisos; Telê e Rivelino abrindo para os lados, trocando de posições, variando para o meio; os gênios Gerson e Didi mais recuados, fazendo lançamentos precisos para as avançadas do Carlinhos e do Branco. Na área, inigualável, Valdo fazendo tanto gol, que é até hoje o nosso maior artilheiro de todos os tempos.

De Carlos José Castilho, o que dizer?

Pinheiro, um esteio na retaguarda, infalível nos pênaltis, pouco técnico, é verdade, mas o companheiro perfeito para o super técnico, elegantérrimo, Ricardo Gomes.

Mas foi tudo um sonho ... acordei!, como poetou Lamartino Babo, em Eu Sonhei que Tu Estavas tão Linda, que vai aí embaixo, na voz do inesquecível Carlos Galhardo.

https://www.youtube.com/watch?v=5hHoRXzd8PI


Dei um tempo, estou voltando

https://esporte.uol.com.br/enquetes/2017/04/06/fluminense.htm

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sábado, 11 de março de 2017

7 a 1, 6 a 1, 1 a 1

No dia dos 7 a 1, quando a Alemanha fez o terceiro gol, saí, desnorteado, da casa de uma de minhas filhas, onde assistíamos a Copa em família, e, porque era perto, me refugiei sozinho no apartamento onde vivo com minha mulher, buscando esquecer o mundo, grudado no Netflix. Mas os gritos, lamentos, que vinham dos bares das redondezas não deixavam que a tragédia em progresso me abandonasse.

Como a tragédia dos 7 a 1 não abandona o Tiago Silva.

Escrevo, sem nada querer justificar, mas porque tenho uma imensa admiração pelo futebol dele, e, mais ainda, porque tenho uma imensa solidariedade pela história pessoal dele, não só por ter vindo, como quase todos, dos estratos mais pobres da sociedade brasileira, mas porque quase morreu por abandono em um infecto hospital de Moscou.

Hospital onde o Dínamo da capital russa o largou, sem suporte pessoal algum, para tratar de uma tuberculose que os médicos do Porto, de Portugal, tinha deixado passar batido.

Mais um caso, talvez o mais grave, de tantos jovens brasileiros cujos talentos são desperdiçados na periferia do futebol globalizado. Tiago foi literalmente salvo por Ivo Wortmann. O ex-volante dos bons e passados tempos do América carioca e, depois, do Palmeiras, técnico de futebol, hoje um fora do circuito, em 2005 foi contratado pelo referido Dínamo, e coube a ele, que conhecia Tiago dos tempos em que treinara o Juventude de Caxias do Sul, descobrir o jovem zagueiro no hospital, onde, segundo o próprio Tiago Silva, médicos já se preparavam para lhe abrir o peito e tirar pedaços do seus pulmões. Foi Wortmann quem conseguiu um especialista português para tratar o zagueiro e, quando em 2006,veio treinar o Fluminense, trouxe Tiago com ele (ver, por exemplo, http://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/2013/06/origens-thiago-silva-abre-o-jogo-e-se-emociona-ao-lembrar-das-dificuldades.html).

E se fez aí um capítulo bonito da história do futebol brasileiro.

Um monstro no Fluminense, foi monstro e capitão do Milan, e é um monstro e capitão do PSG.

Mas, Tiago é também uma das principais vítimas do 7 a 1, ainda que não tenha estado em campo naquele fatídico dia.

A Copa de 2014 passará à história como um dos maiores equívocos esportivos, culturais e políticos da história brasileira. Bilhões foram enterrados em duvidosas 'arenas' país a fora, inclusiva a mais cara e inútil delas, o monstrengo arquitetônico que, aqui em Brasilia, desonra a memória de Mané Garrincha.  Emocionalizou-se a seleção brasileira a um ponto jamais antes visto, envolvida desde a Copa das Confederações com uma profunda crise ético-político do qual o país parece não conseguir sair. Tinha-se a impressão de que o 'hepta' era a poção mágica que nos jogaria de novo para um radiante futuro. Emocionávamos todos, como nunca, com o Hino Nacional que, cantado à capela, desafiava as normas da famigerada FIFA. Os jogadores todos iam às lágrimas, como às lágrimas foi o Tiago quando teria se recusado bater um pênalti na dramática disputa como o Chile nas oitavas de final.

O Monstro, ao mostrar ali toda a sua, ainda que circunstancial, fragilidade emocional, começaria a ver a sua imagem de zagueiro quase que tecnicamente perfeito ser paulatinamente desmontada. Nenhum erro seu jamais voltaria a ser perdoado.

Mesmo quando ele não comete erro algum, e aqui chego à surra que o PSG levou do Barcelona nesta semana. Porque Tiago Silva, e ouvi isso de 'cronista' esportivo brasileiro inclusive,  não fez valer a sua condição de capitão do time, 'sacudindo' o coitado do Marquinhos e outras bilionárias estrelas bancadas por bilionárias quantias bancadas por bilionários árabes.

Durma-se com um barulho desses.

E o tal de Unay Emery?, o 'brilhante' espanhol que ganha bilionário salário pra treinar o PSG? O que dizer da sua 'estratégia' pra segurar o Barcelona no Camp Nou? Não, segundo a imprensa francesa, e até certos jornalistas brasileiros, o grande problema dos 6 a 1 foi o chorão do Tiago Silva.

Por isso, hoje e sempre, por ser o grande atleta que é, por ter sido um dos maiores zagueiros da história do Flu, por ter a história que tem, vai aqui toda a minha, ainda que pouco importante, no contexto de toda essa história, solidariedade ao Tiago Silva.

E o 1 a 1?
Sim, o 1 a 1 do Flu contra o Criciúma.

Depois da maratona da ida e volta a Sinop, depois da belíssima conquista da Taça Guanabara, e depois da inesperada maratona do vôo atrasado para Criciúma, em avião fretado, imaginem, concordo com o Abel: o empate ficou de bom tamanho.


quarta-feira, 8 de março de 2017

Flu Saudades: campeão da Taça Guanabara 1975

Time base:

Félix, Toninho, Silveira, Assis e Marco Antônio; Zé Mário, Cléber e Rivellino; Cafuringa, Manfrini e Mário Sérgio.

Era a Máquina Tricolor surgindo.

segunda-feira, 6 de março de 2017

O Menino da Ceilândia

Em 2012, quando subiu das categorias de base para a equipe principal do Fluminense, o menino Marcos Júnior, depois de fazer o quarto gol na decisão do Carioca daquele ano - vitória de 4 a 1 sobre o Botafogo -, na entrevista de final de jogo, entusiasmado, falou ao repórter, e eu parafraseio:

- O professor - que só poderia ter sido mesmo o Abelão - me disse pra entrar e resolver; eu fui lá e resolvi.

Foi o que bastou para Deco, então o mais vencedor daquele elenco do Fluminense, que tinha Fred e Tiago Neves, entre outros, e que terminaria o ano como campeão brasileiro, arrumasse logo um apelido para o atrevido e elétrico novato:

- Resolve.

Em 2011, na final do Torneio Otávio Pinto Guimarães, competição carioca de juniores, da qual ele foi o artilheiro com 9 gols, depois de um empate com o Flamengo por 3 a 3, que deu o título ao rubronegro, Marcos Júnior chorou copiosamente, pela derrota, é claro, porém, mais que tudo, porque seu pai, Antônio Marcos, por  falta de condições financeiras, não pudera viajar de Brasília para assistir o jogo (http://globoesporte.globo.com/futebol/times/fluminense/noticia/2011/11/atacante-da-base-do-flu-chora-pela-ausencia-do-pai-na-final-do-opg.html).

Marcos Júnior é filho da Ceilândia, a cidade-satélite, na verdade um dos grandes bairros periféricos de Brasília, com seus cerca de 400 mil moradores, que tem esse nome porque nasceu de um projeto socialmente cruel, logo após a fundação da nova capital, com o nome de Campanha para Erradicação das Invasões, daí o a acrônimo CEI, daí o nome Ceilândia. Considerado o mais nordestino dos bairros brasilienses, abrigo daqueles trabalhadores que ajudaram a erguer a nova cidade, que nela moravam em acampamentos precários, mas no Plano Piloto, e que dela foram afastados para as franjas precárias da capital do país.

Foi na Ceilândia que Marcos Júnior deu seus primeiros chutes em uma bola de futebol, e é na Ceilândia que ele mantém um projeto social, uma escolinha de futebol, fazendo o que muitos atletas como ele fazem - dar retorno social às comunidades pobres de onde vieram, e de onde saíram graças ao esporte.

Mas, e voltando ao Deco e ao apelido - do qual ele hoje já se livrou: Marcos Júnior resolve?

Sim, se não vejamos: de seus pés saíram os gols dos últimos título do Flu: o da Primeira Liga, ano passado, e o da Taça Guanabara, ontem.

Nossas homenagens candangas, pois, ao Menino da Ceilândia.

De resto, muita vontade de falar mais sobre o jogo de ontem.

Mas, por ora, apenas um registro emocionado.

Afinal, como não se emocionar diante da emoção de Abel Braga, um dos mais  vitoriosos, e veteranos, treinadores do nosso futebol, às lágrimas, ontem, depois de o Fluminense, em jogo épico - digno de um Nélson Rodrigues - vencer nos pênaltis a Taça Guanabara. Sim, a Taça Guanabara! Um primeiro turno de um, por vezes, molambento campeonato carioca, que só garante vaga na semifinal. Se o choro do Abel não reflete um baita amor pelo Fluzão, o que mais refletiria?





domingo, 26 de fevereiro de 2017

Domingo que vem vai ter Fla-Flu! Mas, onde?

"Encardido esse Madureira. Time de Champion's rsrs!"

Foi assim, com essa brincadeira em um grupo no WhatsApp, que tentei me consolar depois do fraco desempenho do Fluminense no 0 a 0 com o Madureira.

A crônica esportiva, como se dizia antigamente, tinha, é claro, razão, quando indagada sobre o auspicioso início de temporada do Flu, que andou goleando a torto e a direito no melancólico campeonato carioca. E sem levar gols. Levara dois, é verdade, do pitoresco Globo FC, na Copa do Brasil, mas fez cinco - um deles, aquela inesquecível pintura do Gustavo Scarpa. Como levou dois do Criciúma, na, ainda mais melancólica, e inútil, Primeira Liga, mas fez  três. E, jogando com o time B, levou um na derrota para o Internacional. Ou seja, até ontem quase tudo era lucro. 

Mas, o que dizia mesmo a crônica esportiva? 

Dizia que só se saberia se aquele Fluminense goleador do Carioquinha era mesmo pra valer quando enfrentasse o poderoso - na visão da mesma crônica, é claro - Flamengo, na final da Taça Guanabara. Porque nem mesmo o mais cético cronista imaginava que o Fluzão perderia para o pequeno Madureira.

Pois só não perdeu porque o espírito de São Castilho pousou ontem sobre o mais do que melancólico campo de Los Larios, em Xerém, e não deixou que a bola vazasse o gol de Júlio César, fosse pelo inépcia do outro Júlio César, o do Madureira, fosse baixando o travessão para que a bola batesse nele, fosse movendo a trave para que a bola saísse pela linha de fundo. Ou seja, ontem nem o famigerado Sobrenatural de Almeida impediria que o Flu fosse finalista da Taça Guanabara, como me lembrou em um telefonema, pós-jogo, o outro Sobrenatural, o meu amigo Sobrenatural de Almada, eterno morador dos Campos de Lages, em Santa Catarina.

Ou seja, hoje se sabe, como se imaginava, que o time do Fluminense, sob o comando sempre lúcido e sereno do grande Abel Braga, vai precisar mesmo de muita lucidez e serenidade para enfrentar o poderoso urubu da Gávea.

Mas, o que nos ensinou, a nós tricolores, o jogo de ontem?

Nos ensinou, por exemplo, que o veterano Sousa Caveirão, aquele que, cria do Madureira, e que jogou no Vasco, Corínthians, Flamengo, Internacional, Bahia, Parathinaikos, Paysandu, etc., e voltou agora para o seu velho clube, é capaz de ganhar todas pelo alto do Henrique e do Renato Chaves. Nos ensinou também que o Douglas ainda precisa de mais rodagem para esbanjar a técnica que, reconheço, ele tem; que o Leo tem força, mas pouca técnica; que o Richarlison tem menos técnica, porém muito mais força que o Wellington e por isso deve ser titular; que o Dourado nem de longe nos fará deixar de sentir a doída saudade do Fred que ainda vamos sentir por muito tempo; e que nem de longe podemos pensar em jogar o Fla-Flu sem o Gustavo Scarpa, que se transformou em um Conca pra nós em muito menos tempo que o próprio Conca se transformou em Conca. E que me seja perdoado esse irrefletido paradoxo. E que o Conca volte a ser o Conca, mesmo reforçando o Flamengo. Ele merece.

De resto, dito isto tudo, e apesar do sufoco de ontem, o ano começou bem para o Fluminense, porque o Abel tem alma tricolor, e porque temos hoje um dos melhores programas de base do futebol brasileiro. 

Por último, a pergunta que não quer calar: onde será jogado o Fla-Flu? Em Los Larios (valha-nos, Deus)?; em Volta Redonda?; no Engenhão?; no Maracanã?; em Brasília?; na Casa da Mãe Joana?

Descansem em paz Mário Filho e Nelson Rodrigues, irmãos de sangue, irmãos na literatura, irmãos no jornalismo, irmãos no futebol, no amor pelo Fluminense. Que bom vocês não terem vivido para testemunhar a tragédia por que passam hoje o país e o Rio de Janeiro.